Isso não era para ser uma crônica, mas tudo bem.
Há alguns anos decidi criar um blog. Era o auge dos blogs. Todo mundo tinha um; era blog de notícias, de auto-ajuda, de emagrecimento, teve até blog pra ensinar mulher a como trair bem. E eu me deixei levar por essa onda.
Depois de alguns anos de atualiza, abandona, atualiza, abandona, atualiza, abandona, decidi: “Quer saber duma coisa? Não vou fechar esse troço de vez; mesmo que passe um tempo sem vir aqui, vou deixa-lo eternamente aberto, que nem cemitério”. E foi assim que, até hoje, ainda permito-me achar que sou um “blogueiro”, mesmo que efetivamente não o seja.
Atualmente venho pensando outra coisa sobre o ato de escrever e blogar (não nessa mesma ordem): para que meu blog esteja atualizado, basta que eu – além de encher linguiça com materiais de terceiros – escreva. “Elementar, meu caro Watson”. Nem tanto. Explico: Todos, às vezes, temos as mais prementes e variadas necessidades de escrever: aquela redação chata do professor de Português do segundo grau (euzinho), uma carta de intenção de emprego numa entrevista, uma resenha sobre metodologia do trabalho científico, na faculdade ou até mesmo uma carta de amor para aquela namorada romanticamente chatinha. O problema é que, apesar de toda essa obviedade, em boa parte dos casos, acabamos deixando de fazer o óbvio, ou seja, “escrever”, ou, pelo menos, começar a escrever.
E é justamente aí que está o problema. Na maioria dos casos, não conseguimos produzir um texto exatamente pelo fato de não começar a escrevê-lo. Se toda vez que pensássemos num assunto, mesmo que não tivéssemos uma posição fechada sobre ele (ou sequer uma posição), mas sentássemos a discorrer sobre ele, mesmo que para dizer: “creio que esse assunto já foi abordado diversas vezes, porém nunca por uma mulher, o que me atrevo a fazê-lo”. Pronto, só aí, já teríamos o que chamam de introdução; melhor, já teríamos uma abordagem diferenciada, que nos permitiria, mesmo sem ser um Luís Fernando Veríssimo, criar um domínio, um cercadinho para o “nosso” texto.
Raquel de Queiroz comparava o ato de escrever (literatura) a um parto, e de fato, quando não temos nenhuma inspiração, o troço parece bem mais difícil do que de fato é. Eu digo o seguinte: “Você não tem que levar as palavras muito a sério”. As ideias sim, merecem alguma reflexão. Mas as palavras? Elas nasceram para serem USADAS. Veríssimo tinha razão quando alcunhou-se “gigolô das palavras”. “Elas têm que saber quem é que manda”, defendia profanamente.
De fato, se você não consegue “mandar” nas palavras, elas vão acabar dizendo pra você a hora e o local em que devem ocorrer. E quando se depende disso, respeitosos leitores, a gente acaba escrevendo a primeira, a segunda, a terceira linha, até as palavras gritarem: “já chega, nós queremos que você reflita sobre nós, queremos ter o direito de escolher nossa posição no texto!”. É como se elas quisessem ter uma DR com a gente. E aí, mano velho, todo mundo já sabe o final da história: adeus, texto. Portanto, quando isso acontecer, não as dê ouvido; ponha-as onde você achar melhor. Desnude-as até das vírgulas se você quiser. E, quando menos espera, verá que seu texto já está no final.
PS: O blogue vai voltar a ser atualizado.
PS do PS: Rsrs.




















