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domingo, 26 de julho de 2020

Artigo da Semana: Por que o mito ainda não se quebrou?

Imagem: REUTERS/Adriano Machado.
Em cabeça de eleitor, nem sempre dois mais dois são quatro.

Apesar de todas as trapalhadas, leviandades, zombarias, bravatas, descasos e atrocidades cometidas à frente da Presidência da República, se a eleição fosse hoje, Jair Bolsonaro estaria eleito.

Pesquisa exclusiva da revista Veja, realizada pelo instituto Paraná entre os dias 18 e 21 de julho, mostra que Bolsonaro lidera em todos os cenários de primeiro turno, com percentuais que vão de 27,5% a 30,7% e derrotaria os seis potenciais adversários no segundo turno: Lula e Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Sergio Moro e Luciano Huck.

Ou seja, apesar de já poder ser considerado um dos piores presidentes brasileiros em menos de metade do seu mandato (e eu poderia listar inúmeros motivos para isso, mas vou me limitar ao descaso de Bolsonaro com a pandemia e à péssima imagem internacional do país), uma coisa é certa: o “mito” ainda não se quebrou; e também ainda não foi quebrado.

É claro que a popularidade de Bolsonaro está longe de atingir os 83% de Lula, no auge de seus dois mandatos, ou os 64% de Dilma Roussef, em seu primeiro mandato, em 2012. Mas, depois de tudo de ruim que aconteceu nos últimos meses - inclusive a ameaça de impeachment que ainda paira sob si e depende da apuração de inquéritos e processos em andamento -, Bolsonaro já poderia estar eliminado eleitoralmente. Só que não. Ele resiste, não tão forte, mas firme.

É uma situação que pode ser comparada à de Lula no auge do mensalão, em 2005, episódio que, apesar de toda a repercussão negativa na época, não foi suficiente para ferir de morte sua popularidade, tanto é que conseguiu reeleger-se no ano seguinte, e posteriormente fazer sua sucessora petista.

Do alto da minha humildade de professor e jornalista nas horas vagas, atribuo esse paradoxo a três fatores, de naturezas diferentes: cultural, política e econômica.

O primeiro tem a ver com a cultura permissiva do cidadão brasileiro, que poderia ser simplificada em alguns ditados do tipo: “ruim com ele, pior sem ele”, “rouba, mas faz”, “o outro fez pior”, etc. Nosso “pacato cidadão” não é chegado a rupturas ou ao enfrentamento. Um grande exemplo é a luta contra o racismo, que atualmente ganha força nos Estados Unidos e em outros países no mundo, enquanto que no Brasil, assistimos praticamente todo dia à violência contra a população negra, inclusive com mortes. Protestos raramente acontecem, e quando acontece é com uma participação ínfima. É claro que essa mesma permissividade tem livrado a cara de vários políticos ao longo de nossa história republicana. Bolsonaro é só mais um.

O segundo é de ordem política. Bolsonaro tem apoio irredutível e consciente de uma base social coesa e consolidada: trata-se de grande parte da elite social e econômica brasileira, o cidadão que tem dinheiro pra gastar e dedicar seu tempo às redes sociais, formando opinião e dando a linha para os que estão no andar de baixo (muitas vezes seus próprios empregados), ou seja, o povão desinformado, que ainda se ilude e se identifica com as falas autoritárias e salvacionistas do “mito”. Para esse setor mais vulnerável (inclusive do ponto de vista educacional), certamente o auxílio emergencial de 600 reais aprovado pelo Congresso e pago por dever de ofício pelo governo federal veio conter uma inevitável sangria eleitoral bolsonarista. Aqui é impossível não se fazer um paralelo com os efeitos do Bolsa-Família, mesmo reconhecendo tratar-se de iniciativas de natureza diferente.

Um terceiro fator que enumero aqui é o discurso negacionista de Bolsonaro, que desde o início da pandemia no Brasil manifestou-se firmemente contra o isolamento social, ainda que isso viesse a custar milhares de vida. Se engana quem pensa que o povão viu e vê com maus olhos esse discurso.

Uma parte reduzida da classe média bateu panela logo no início, depois cansou. O povão, como sempre, pagou pra ver. Afinal, a ânsia de abandonar o isolamento sempre foi um fato, seja por razões comportamentais (pois permanecer enclausurado em casa para um pobre no Brasil é muito mais penoso do que para alguém da classe média ou alta), seja por necessidades financeiras, para correr atrás do pão de cada dia. Tais fragilidades sociais deram eco ao discurso negacionista de Bolsonaro. E continuam dando.

Talvez, diferentemente do que diz a Veja, Bolsonaro não seja um “fenômeno político”. Talvez ele esteja somente fazendo e falando o que a maior parte da população brasileira quer ouvir.

Cabe aos seus adversários, daqui a dois anos e meio, mostrar que não é Bolsonaro que está errado, mas a própria perspectiva de seus eleitores, principalmente daqueles que estão tendo uma perspectiva distorcida e atrasada de sociedade.

Entretanto, se nada mudar, só me resta concordar com o ditado de minha finada e sabida avó: “Quem morre de gosto não fede”.

JCT.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Pau que dá em Chico bate mesmo em Francisco?

Diz o ditado que pau que dá em Chico dá em Francisco. Com essa singela metáfora quer dizer a sabedoria popular que a justiça não pode aceitar dois pesos e duas medidas. Ou seja, não pode ser injusta, usando uma punição para um lado e outra punição para o outro.

Mas será que esse ditado se aplica na política?

A história começa a desenrolar-se, mostrando que não. 

Ultimamente os tucanos estão na mira do Ministério Público e da Polícia Federal. Dois dos principais caciques do PSDB – José Serra e Geraldo Alckmin – estão tendo seus podres revelados pelas autoridades e têm sido objetos de megaoperações policiais.


Contra Alckmin pesam acusações de falsidade ideológica eleitoral, caixa dois, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O MP paulista afirma que o tucano recebeu 11,3 milhões de reais da empreiteira Odebrecht nas eleições de 2010 e 2014. 

Contra Serra, são outros tantos milhões desviados em esquema similar. 

Há alguns anos atrás operações idênticas acometeram os petistas, tanto na qualidade quanto na quantidade das acusações. A diferença é que eles estavam praticamente sozinhos à frente da nação.

Como diz-se que os dois grupos revezaram-se no comando da moderna república brasileira, é aceitável que a responsabilidade por tudo de bom e de ruim que acontece no Brasil foi de responsabilidade dos dois grupos.

A questão a que quero chegar é a seguinte: e se todas essas denúncias envolvendo os tucanos tivessem ocorrido simultaneamente às denúncias dos esquemas do Mensalão e Petrolão, será que o PT teria entrado para o folclore político nacional como “partido da corrupção”? A ex-presidente Dilma Roussef teria sofrido impeachment sem cometer um crime que realmente o justificasse, já que, passados quatro anos de seu impedimento, nenhuma denúncia de corrupção contra ela se sustentou? As chamadas “pedaladas fiscais” por si só seriam suficientes para derrubá-la, sem um empurrãozinho dos oportunistas?


Políticos do Centrão comemoram o impeachment de Dilma Roussef
Creio que a resposta é não.

Portanto, voltando ao ditado inicial, nem sempre o pau que dá em Chico, bate em Francisco. Isso porque, hoje, os tucanos não têm um décimo a perder do que os petistas perderam, ao pagarem a conta da corrupção praticamente sozinhos e com o sacrifício de sua histórica legenda, pra lá de desbotada depois de todo esse furacão.

Imagine como ficará a cabeça do eleitor mediano depois que os esquemas de corrupção de Bolsonaro e seus aliados começarem a se confirmar, como já começa a acontecer com o laranjal do PSL (de onde Bolsonaro vazou rapidinho), com o governador Wilson Witzel, ex-aliado de Bolsonaro, e com o próprio filho, Flávio, acusado de enriquecimento ilícito?

Eu espero que o chamado Zé Povinho acredite ao menos numa coisa: Não há um partido dono da corrupção e nem um partido imune à corrupção. Isso porque a corrupção não ocorre no partido, ela ocorre no coração e na alma de seres humanos e é favorecida por sistemas políticos, econômicos e culturais viciados como o nosso.

O resto é pura hipocrisia. É o mito do chamado “cidadão de bem”. Aquele que adora acusar, mas detesta ser acusado. Que vê o cisco no olho do próximo, mas não quer enxergar a trave no seu próprio olho.

Como o filho mauricinho e a filha patricinha do prefeito que adotam o discurso moralista de Bolsonaro, mas que se cadastram para receber o auxílio emergencial de 600 reais, roubando a oportunidade dos quem realmente precisam.

Talvez se as denúncias dos esquemas tucanos ocorressem há cinco, seis anos atrás, o golpe contra a Dilma não tivesse contado com tanto apoio da opinião pública e não passasse apenas de uma tentativa golpista de um grupo de políticos profissionais com a cumplicidade da grande imprensa. (Abaixo vídeo da campanha peemedebista intitulada A verdade é sempre a melhor escolha, com a qual o partido articulava o golpe contra sua ex-aliada, Dilma Roussef).



Aqui não estou defendendo que a corrupção seja tolerada, banalizada ou relativizada. Ao contrário, ela deve ser energica e exemplarmentemente combatida, sempre de forma justa e com o direito ao contraditório e à ampla defesa.


Porém, o pau da justiça e da moralidade não pode bater em Chico e aliviar as costas de Francisco.


A aposta errada de Sérgio Moro

Rafael Marchante/Reuters

O famoso e patético vídeo da reunião ministerial de 22 de abril deste ano tornou-se um verdadeiro fantasma que assombrou e assombra muita gente, inclusive seu próprio detonador, o ex-ministro Sérgio Moro.

Além dos estragos contra o próprio Bolsonaro, que pode vir a responder por desvio de finalidade e obstrução de justiça, o vídeo teve o condão de derrubar um de seus ministros – o da Educação – e colocar outro na corda bamba – o do Meio Ambiente.

Porém, o principal prejudicado pode ser o próprio Moro.

Isso porque o ex-juiz já acredita que o Procurador Geral da República, Augusto Aras, irá concluir a apuração sem fazer imputação alguma a Bolsonaro. Caso isso aconteça, o ex-juiz corre o risco de responder por denunciação caluniosa contra o presidente.

Sabendo-se que o procurador-geral é praticamente um amigo do peito de Bolsonaro, e no Brasil muitas vezes os valores são invertidos, não é difícil que isso aconteça, e Aras acabe livrando a cara do seu padroeiro depois que toda a encenação do processo da interferência na PF terminar.

Assim é a vida. Quem se apavora, às vezes, se arrebenta. E, como dizia minha avó: “Quem se mete com porcos, farelos come”.

Que isso sirva de lição para Moro, que abriu mão de uma carreira consagrada como o juiz que mais combateu a corrupção no país (essa é a percepção da grande maioria da população), para embrenhar-se numa aventura leviana de um louco do baixo clero parlamentar, político profissional e com reconhecida vocação autoritária, inconsequente e conservadora, no pior sentido da palavra, chamado Jair Bolsonaro.

A aposta errada de Moro o levou, além de abrir mão de sua carreira jurídica bem-sucedida, a comprometer boa parte de sua popularidade, ao contaminar-se com o jogo sujo da velha política, suportando por longos meses as veleidades do chefe até não aguentar mais. Ao final, não agradou ninguém, nem aos eleitores bolsonaristas – que o veem como um traidor –, muito menos à esquerda, para quem ele não passa de um ex-magistrado oportunista a serviço da direita.

Talvez os eleitores de centro e os eternos esperançosos ainda o acolham e lhe deem algum voto de confiança em 2022. Mas para isso, ele precisa ao menos sair no zero a zero dessa peleja com Bolsonaro, e logo depois sair do isolamento político em que se encontra buscando construir uma terceira via em torno de si. Ou do que restar de si depois dessa frustrada aventura.

Caso não consiga empreender essa agenda, será um mito quebrado a mais na história nacional, uma espécie de Eneas, menos excêntrico e mais bonitinho e simpático.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Conheça Parler, a rede social da extrema direita

Parler, a Nova Rede Social, atrai a Família Bolsonaro e seus aliados extremistas com a promessa de liberdade para odiar e destilar preconceitos.

John Matze Jr, fundador da Parler. Foto: Divulgação.
Uma ilha de conservadores, uma caixa de ressonância de extremismos, um lugar onde se pode destilar o ódio sem qualquer freio. É esse o espírito que move a rede Parler, que acaba de ganhar a adesão do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos, assim como de vários aliados do governo, entre eles o guru Olavo de Carvalho, o blogueiro Allan dos Santos e a ativista Sara Winter.

Os extremistas se reúnem por lá com a esperança de estar acima da lei e poder falar o que vier à cabeça sem serem questionados. É como se fosse um mundo paralelo dos radicais.

Mais aqui, em excelente reportagem da revista Isto é da semana.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Zenaldo nada para baixo

Foto: Divulgação/Facebook
Segundo pesquisa divulgada pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, no último domingo (12), a rejeição do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, atingiu a marca de 85%, sendo considerado ótimo e bom apenas por apenas 11% da população belemense.

Se continuar assim, é melhor Zenaldo nem dar as caras durante a campanha eleitoral, ou seu candidato - independentemente de quem seja -, terá um peso morto nas costas, apesar de toda a força da máquina municipal que o prefeito possa dispor para fazer seu sucessor.

Já o governador Helder Barbalho ainda detém uma popularidade satisfatória - algo em torno de 54% de ótimo/bom -, tanto no interior, onde reside sua maior força eleitoral, quanto na capital, cuja falta de nomes novos e competitivos lhe permitiram tornar-se governador, mesmo com a histórica rejeição que motivaram suas derrotas nas últimas eleições, tanto para a capital quanto para o interior.

Prisão domiciliar virou moda, mas para quem?



Depois do operador de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e sua esposa, agora é a vez do ex-ministro Geddel Vieira Lima, aquele que foi flagrado com 50 milhões de reais desviados em um apartamento emprestado de um amigo, ganhar a sua "prisão" em casa.

Ele teve prisão domiciliar concedia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de terça-feira (14) pelo ministro Dias Toffoli, presidente da Corte.

Geddel foi ministro da Secretaria do Governo durante mandato de Michel Temer, e ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010. Ele está preso desde 2017 por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Inicialmente, o ex-ministro ficou na Penitenciária da Papuda, em Brasília (DF), e em dezembro de 2019 foi transferido para a Bahia e levado para o Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.

Na última terça, o ministro Dias Toffoli havia concedido 48 horas para a Vara de Execuções Penais da Bahia enviar informações sobre a saúde de Geddel Vieira Lima, após a defesa do ex-ministro pedir concessão de prisão domiciliar em razão da pandemia do novo coronavírus


Na decisão, Dias Toffoli afirma que a defesa de Geddel comprovou suas alegações, com documento expedido pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado da Bahia (Seap), no qual atesta que o ex-ministro, ao realizar o exame de teste rápido em 8 de julho, testou positivo para a Covid-19. 

Agora, imaginem se todos os presos brasileiros tivessem as mesmas condições financeiras e sociais de Geddel para contratar bons advogados e solicitar o mesmo benefício? O princípio constitucional da igualdade seria mantido e não haveria mais superlotação carcerária no Brasil.

A questão é se nossa sociedade está preparada para aceitar que os mesmos benefícios concedidos a gente como o ex-ministro, um típico ladrão "de colarinho branco", mas bem nascido, educado e relacionado, sejam estendidos aos chamados "ladrões de galinha", aqueles que sempre viveram à margem da sociedade, na grande maioria das vezes por falta de oportunidade.

Infelizmente a percepção de grande parte de nossa sociedade (senão da maioria) é a que gente como Geddel Vieira Lima, apesar de ser um notório e condenado corrupto, ainda enquadra-se dentro do perfil do chamado "cidadão de bem", ou seja aquele que não representa risco violento à integridade e principalmente ao patrimônio alheio.

E se a moda pegar, em breve teremos novos "cidadãos de bem" malfeitores - como o ministro de Bolsonaro, Onyx Lorezoni, arrependido de cometer "caixa dois" - cumprindo suas penas no bem estar de suas aprazíveis mansões, com suas belas esposas e suas famílias perfeitas, enquanto à grande maioria dos condenados continuará restando a sina de apodrecer e embrutecer nas masmorras brasileiras, pela ameaça simbólica que representam ao padrão de sociedade a que provavelmente nunca pertencerão.

Bolsonaro assedia ex-partido, o PSL

Bastou Jair Bolsonaro ligar para o presidente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar, que parlamentares do partido se dividiram entre os que viram a iniciativa de reaproximação do Planalto com a ex-sigla do presidente com bons olhos e outros que rechaçaram o aceno. Enquanto o senador Major Olimpio se mostrou um crítico do gesto e ameaçou deixar a legenda e a deputada Joice Hasselmann disse que o PSL "não está à venda", o deputado Delegado Waldir defendeu que exista um diálogo entre o presidente e a sigla. Ex-líder do partido na Câmara, Waldir foi quem prometeu "implodir" Bolsonaro, em um áudio em outubro. A conferir se a aproximação surtirá efeito.

Saúde: Novo ministro a caminho

O Ministério da Saúde deve trocar de comando mais uma vez durante a pandemia. Ao que tudo indica, até o fim deste mês ou até a primeira quinzena de agosto, o general Eduardo Pazuello deve deixar o posto para ser substituído, provavelmente, por uma indicação do Centrão. Entre os cotados está o deputado Osmar Terra. Próximo a Bolsonaro, o médico já foi cogitado outras vezes e segue no páreo, apesar das previsões equivocadas sobre o coronavírus. A ala moderada do Planalto, porém, é contra a nomeação de Terra. A saída de Pazuello passou a ser mais cogitada após a crise deflagrada pelas críticas do ministro do STF Gilmar Mendes ao baixo desempenho da pasta.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Internacional: Biden amplia liderança sobre Trump nos EUA



O candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, Joe Biden, lidera com ampla vantagem a primeira pesquisa de intenção de voto realizada pelo jornal americano The New York Times em parceria com o Siena College, publicada na manhã desta quarta-feira, 24.

Com 50% das intenções de voto, Biden aparece 14 pontos porcentuais à frente do presidente Donald Trump, que busca a reeleição e detém a preferência de 36% dos entrevistados. A eleição presidencial nos EUA deste ano está marcada para o dia 3 de novembro.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Úrsula candidatíssima

Quem ainda tinha alguma dúvida sobre a candidatura da atual secretária estadual de Cultura, Úrsula Vidal, agora já pode ter certeza.


Úrsula não só anunciou recentemente sua filiação ao partido do ex-tucano Álvaro Dias, senador e ex-candidato à Presidência nas últimas eleições, Podemos, aliás uma virada de 180 graus para quem até agora só tinha passado por partidos de centro-esquerda, como PPS, Rede e PSOL, de onde teve que retirar-se para assumir a pasta estadual da Cultura.

Ela agora vem posando oficialmente de candidata, fechadíssima com o governador Helder Barbalho rumo às eleições municipais, inclusive participando da inauguração de obras estranhas à sua área, como no caso do programa "Asfalto Por Todo o Pará" no município de Belém.

Úrsula com o governador em Icoaraci, hoje, inaugurando obras do programa Asfalto por Todo o Pará. (Divulgação-Facebook).
Ainda não vou fazer aqui uma análise minuciosa do cenário pré-eleitoral em Belém, mas adianto que isso não é nada bom para o ex-prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL), o qual, num cenário de polarização direita x esquerda, e com um antipetismo jamais imaginado (graças à campanha que culminou com o golpe de 2016), pode perder sua vaga no segundo turno, caso Zenaldo repita sua "estratégia" eleitoral da última eleição e consiga contar com o sentimento antiesquerda fortalecido e disseminado com a eleição de Bolsonaro. Mesmo que o candidato seja o Jatene.

Digo isso porque uma boa imagem Úrsula sempre teve; a questão é que essa imagem nunca foi potencializada por uma boa estrutura partidária ou uma boa máquina administrativa. Pois isso agora é não é mais problema. Como diz o ditado, está com a faca e o queijo na mão.

Uma coisa é certa, a fórmula que vale para o Estado não é necessariamente a mesma que vale para a capital. Aqui,  grande parte do eleitorado tende a ser mais crítica com as escolhas do seu candidato e voto de opinião pode ter um papel decisivo, às vezes até superando a potência das máquinas.

Dito isso, o que poderá definir a fatura aqui é: até que ponto o apoio do governador Helder Barbalho será decisivo para galvanizar a candidatura de sua secretária?

Dependerá muito da intensidade dos ataques vindos do Planalto que Helder será capaz de suportar. Esta é uma variável nova que não pode ser descartada.

Enquanto isso, passaremos a conviver bem mais com o rostinho simpático e o timbre inebriante da eterna "voz do fantástico", Úrsula Vidal.


Úrsula no lançamento do programa Asfalto por Todo o Pará, em 22-06, obra no valor de R$ 600 milhões. (Alex Ribeiro-Agência Pará).



Eleições deverão ser adiadas para novembro

O Senado aprovou o adiamento dos pleitos municipais deste ano por causa da pandemia. A proposta ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados. Com a decisão, o primeiro turno das eleições, que estava previsto para 4 de outubro, passa para o dia 15 de novembro; já o segundo, antes marcado para 25 de outubro, será em 29 de novembro.

O Senado aprovou ainda o adiamento das convenções partidárias que definirão os candidatos e as coligações, que poderão ser realizadas entre 31 de agosto e 17 de setembro. A diplomação dos candidatos será em 18 de dezembro e a posse foi mantida para 1º de janeiro de 2021. Ou seja, mandatos atuais não precisarão ser prorrogados.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Trump e o avanço da extrema direita despreparada no mundo

"O melhor para o mundo seria o primeiro mandato de Trump entrar para a história como um acidente de percurso".

Esta é a frase do jornalista Kennedy Alencar, mostrando como a eleição do político seminazista americano influenciou diretamente o avanço de políticos reacionários e despreparados mundo afora, inclusive aqui no Brasil.

Mais Aqui.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

2022: Moro já aparece empatado com Bolsonaro

Se as eleições fossem hoje, Bolsonaro estaria tecnicamente empatado com seu ex-ministro, Sérgio Moro, com 22% contra 19%.



A pesquisa foi divulgada pela revista Veja, e demonstra que se o atual cenário político não sofrer alterações substanciais, Moro deve herdar a base eleitoral conservadora do ex-chefe.

Isso demonstra que se as esquerdas quiserem ter alguma chance real no pleito de 2022, devem buscar imediatamente unir-se em torno de um projeto unificado para o país, ou teremos na presidência outro nome conservador, certamente muito mais profissional e eficiente que o Bolsonaro.

domingo, 21 de junho de 2020

Bolsonarista arrependido X Bolsonarista sem noção


Os negócios entre o Anjo e o Mito

Foto: Divulgação/Pinterest
Uma empresa ligada à ex-mulher e sócia do advogado Frederick Wassef, que defende o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), recebeu R$ 41,6 milhões durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). O valor se refere a pagamentos efetuados entre janeiro de 2019 e junho deste ano pelo governo federal para a Globalweb Outsourcing — empresa fundada por Cristina Boner.

Mais aqui.

sábado, 20 de junho de 2020

Bolsonaro pianinho


Quem via Bolsonaro há algumas semanas falando alto, chamando palavrão, todo boçal e valentão, como sempre foi, ficou quase triste ao ver o “Mito” mais triste do que filhote de pipira na chuva.

Foto: Reprodução/Youtube
Ao despedir-se do seu ex-ministro fanfarrão, Bolsonaro estava com o olhar perdido, e quase nem olhava para o que já ia tarde. Ao abraçá-lo, parece que estava abraçando o dono da Rede Globo.


Bem diferente daquele Bolsonaro da famosa reunião do dia 22 de abril, quando chamou governadores de bosta e excremento. Ou quando gritou aos seus apoiadores profissionais a expressão “Acabou, Porra!”, referindo-se às ações policiais determinadas pelo STF contra parlamentares bolsonaristas e ao seu famoso gabinete do ódio.

Pena eu não tenho do Bozo, diante das inúmeras maldades que ele vem praticando desde que eu ouvi falar nele, quando ainda era somente um deputado polêmico do baixo clero da Câmara. Porém, fica claro que a ficha parece estar caindo para ele, com tudo que vem acontecendo ao seu redor, desde as prisões e apreensões contra seus apoiadores até à captura do seu ex-capataz Fabrício Queiroz.



Parece que Bolsonaro percebeu que o amadurecimento da democracia brasileira não lhe permitirá “ganhar no grito”, como ele os filhos pretendem, tentando intimidar os demais poderes e a imprensa. Muito menos empreender um golpe com apoio das Forças Armadas. Para isso, ele teria que contar no mínimo com o apoio da maioria dos governadores, o que obviamente não ocorre. Também há sinalização por parte do alto escalão militar da ativa – diferente dos militares da reserva (aposentados) que estão no governo – de que não embarcariam numa aventura golpista ridícula e impopular.



Caída a ficha, creio que só lhe resta levantar a bandeira branca, rezar para que o Fabrício Queiroz fique de bico calado e continuar fortalecendo seu “casamento” com os políticos do Centrão, que poderão livrar sua cabeça de um possível pedido de impeachment no Congresso, para então, caso permaneça assim, pianinho, chegar ao final de seu agourado mandato. Por que governar mesmo, a maioria de nós brasileiros já viram que isso é impossível.