Contratos feitos pelo programa Educação Conectada ajudariam municípios sem estrutura para a compra de equipamentos.
A Secretaria de Educação Básica do Ministério da Saúde encaminhou ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação um documento onde diz não ter interesse na contratação de serviços de internet para escolas de municípios sem capacidade de fechar os negócios. Segundo apuração do Radar, coluna da revista Veja, os contratos envolvem links de conectividade e roteadores de internet feitos por meio do programa Educação Conectada. A resposta da secretaria suspende qualquer previsão para que municípios tenham acesso a estes serviços pelo MEC. Contratos que preveem notebooks para escolas públicas também estão parados na secretaria.
quinta-feira, 23 de julho de 2020
MEC deixa de fora escolas sem acesso à internet
Crônica do Dia: Nazareno Tourinho, um cristão que sonhava com igualdade
A partir de hoje publicarei aqui rotineiramente as crônicas do professor e jornalista João Carlos Pereira, uma de nossas unanimidades regionais no ramo das letras, tanto no magistério e no jornalismo, quanto na criação literária. Creio que seu nome e sua biografia dispensam apresentações; portanto, boa leitura a todos e todas.
O nome de Nazareno Tourinho voltou aos meus ouvidos e ao meu coração de uma forma intensa e doce, nos últimos tempos. Sempre que conversava com Betânia Fidalgo, recém-eleita para a cadeira que pertenceu ao amigo, na Academia Paraense de Letras, falávamos dele. Muitas vezes descrevi o Nazareno que conheci como se fosse um parente próximo e querido. Um parente espiritual, porque ele acreditava, ou melhor, tinha certeza, de que isso era possível. Um consanguíneo etéreo. Uma criatura que, em si mesma, experimentava a espiritualização da carne e a carnalização do espírito. Não por acaso eu dizia que era um barroco em plena definição.
Além da amizade, duas outras dívidas, ambas impagáveis, contraí com ele. A primeira surgiu, quando passou por Belém um médium (creio que não foi o João de Deus), que recebia uma entidade alemã, Dr. Fritz, salvo engano, responsável por curas extraordinárias. Nazareno passou em casa e levou meu pai para uma consulta, na tentativa de reverter-lhe a cegueira que o acompanhou, por livre deliberação, até o final da vida. Papai acreditava que se tratava de um problema cármico, porque, segundo assegurava, em encarnações anteriores comprazia-se sem queimar as vistas de escravos fujões, para que nunca mais buscassem a liberdade. Antes de voltar a este mundo, na forma de Joel Pereira, pediu para ser penalizado com o mesmo castigo que impingia aos seus negros. Foi atendido. Na maternidade, queimaram-lhe os olhos com nitrato de prata pingado em excesso. Eu queria tanto acreditar nisso, meu Deus... Como a consulta demorasse, levantou-se e foi embora. Mau pai era um homem impaciente e não suportava esperar.
No dia seguinte, Nazareno não se deu por vencido. Voltou em casa e praticamente o arrastou para o local das curas. Desta vez, o alemão o recebeu. Disse que não tocaria em seus olhos, porque ali havia um carma, mas assegurou que o coração estava fraco. Pegou o bisturi e rasgou-lhe o peito para desobstruir as artérias. Rezou, fechou a fenda e a cobriu com emplastro Sabiá. Avisou que o estrago era grande, mas que a cicatriz sumiria. Papai, que andava triste, pálido, alquebrado, ganhou cor, ficou ereto e parecia outro homem. Até Paulo Toscano, o cardiologista, ficou surpreso.
Seis meses depois, um infarto fulminante o levou. Eu também tenho uma cicatriz imensa no meio do peito e sei como é complicado desentupir artérias do coração. Corta pela, carne e músculo e serra-se osso até chegar ao coração. Depois costura-se tudo ( o osso é grudado com fio de aço) e a recuperação é lenta e dolorosa. Como alguém pode fazer isso com bisturi, sem anestesia, sobre uma maca, cercado de gente respirando em cima do doente, sem oxigênio, sem nada? A sobrevida de seis meses de meu pai foi a primeira dívida.
A segunda foi a acolhida que me deu, quando me candidatei à APL. O crivo do Nazareno para eleger alguém era finíssimo. Pois uma noite ele me chamou à sua casa, na Tamandaré, votou em mim, na minha frente, me entregou o envelope, me deu um abraço e disse que raramente fazia aquilo. Tive 28, dos 32 votos possíveis.
Apesar do abismo entre nossas crenças, nos queríamos muito bem. Eu o admirava e o respeitava por sua coerência humanizada. Nazareno Tourinho possuía apenas um farol: era Jesus Cristo, em quem enxergava a justiça, o amor, a tolerância, a caridade e a humanidade encarnadas. O espiritismo não era um escudo atrás do qual se ocultava. Era a roupa que vestia para encarar a vida com honestidade.
Intelectual que escrevia para teatro e ganhava prêmios mundo a fora, também produzia literatura a respeito de sua fé. Os espíritos, às vezes, o despertavam à noite para sugerir-lhe uma idéia, mas nunca se valeram de seus dons para ditar alguma coisa. O que ele escrevia, ele assinava.
Se havia alguma coisa de que Nazareno Tourinho não gosta era de elogio. Sempre que alguém destacava seus méritos na literatura, balançava as mãos com longos dedos, como se dissesse: para com isso. Também baixava os olhos e retomava a conversa, buscando apontar, na própria obra, elementos que a justificassem. Se recusava os aplausos, gostava de justiça e sabia que o teatro que produziu, em mais de seis décadas, tinha valor. Quando era reconhecido, nesse aspecto, ficava feliz.
Nazareno Tourinho foi, essencialmente, um homem bom. Muito bom. Cristão como pouca gente ousa ser, parecia andar sobre as pegadas de Jesus e fazia esse caminho de modo silencioso. Talvez pudesse ser chamado de Nazareno “bondade” Tourinho. Como se tivesse ouvido do próprio Cristo as lições de amor ao próximo, se aproximou da doutrina Espírita ainda muito jovem, quando conheceu um operário que lia Allan Kardec, e criou casas onde era havia teoria e prática do amor ao próximo, sobretudo ao próximo mais necessitado. Nos seus centros espíritas, o Evangelho ganhava forma, vida, densidade e luz. Nazareno foi um apóstolo na modernidade. Que o digam os pobres para os quais preparava lauta ceia de Natal. “Eles só comem peru uma vez por ano.Se sobrar, nós comemos depois.”
O rapaz que, aos 20 anos, decidiu ganhar o mundo, a partir do Rio de Janeiro, não suportou a vida na então capital do país, que o presenteou com uma doença pulmonar. De volta a Belém, ficou curado sem necessidade de remédios ou de tratamentos. Simplesmente curou-se. Aos 35 anos, entrou para a Academia Paraense de Letras, onde era querido e respeitado. Mesmo quando botava para quebrar. Mas sabia muito bem a diferença entre estar na APL ou no Bar do Parque, um lugar que adorava, sobretudo quando Ruy Barata estava lá. Entre os dois havia uma afinidade tão grande, que a morte do poeta não desfez. Segundo me disse, Ruy o visitou em sonho algumas vezes. Sonhar é uma coisa. Ser visitado é outra. Se alguém desejar saber a diferença, a pessoa menos indicada para explicar sou eu.
Se era para desfazer paradigmas, chamassem Nazareno Tourinho. O espírita progressista e lúcido casou-se com uma jovem, ligeiramente mais velha do que ele, de família judia, dona de lindos olhos verdes e senhora de muita simpatia. Com dona Miryan Zagury teve três filhos: Helena Emmanuel e Tânia Regina. Em 64, o regime militar fez sentir o peso da censura sobre suas peças e não o deixou em paz. Nazareno resistiu. O autodidatismo e a busca pelo conhecimento fizeram dele um sábio, que não aceitava nada sem poleminzar. Nem os princípios de sua crença. Era um teórico do Espiritismo. No catolicismo, os que fizeram como Nazareno ganharam o título de “doutor” da Igreja. Agostinho, Tomás de Aquino, João da Cruz, Antônio, Terezinha de Jesus, Catarina de Sena e Tereza d´Ávila e mais outros 29 santos mereceram o título, em 2000 anos de história.
Contestador por natureza, estava sempre disposto a levantar questões em nome das causas em que acreditava. Não suportava o que chamava de burguesia, embora, no final da vida, já estivesse mais tolerante. Inflado pelas convicções, chegou a propor, na juventude, a demolição do Theatro da Paz para que, naquele lugar, fosse construído um teatro mais simples, onde os pobres pudessem entrar. Ele acreditava que todos tinham direito ao melhor da vida e lutava por isso. Seu teatro era engajado e politicamente à esquerda, porque ele mesmo era contrário a todo tipo de sistema que oprimisse o homem.
Rigoroso intelectualmente, homem de muita leitura, não fazia concessões à mediocridade e sabia distinguir o que era bom do que era mais ou menos. Na vida real, reconhecia espaço para todos. No mundo da literatura, porém, era seletivo e radical. Por isso, quando havia eleições para a Academia Paraense de Letras, seu voto era sempre uma incógnita. Se algum candidato conseguia sua aprovação, podia se considerar um autor de méritos, porque ele não votava por amizade ou para atender ao pedido de um amigo. Seu voto era um troféu. Valia por uma consagração.
A pessoa que sonhava com um mundo melhor era um sujeito de quase um metro e noventa, magro, fumante, que andava curvado, sentindo o peso da idade e da doença que o consumia, mas não o derrotou. Morreu a dois meses de completar 85 anos. Tinha as feições longilíneas, cavadas e conversava pausadamente. Diante de um microfone, exaltava-se. Inflamava-se por justiça e por amor a Cristo. Sua voz era forte, grossa e a fala tinha o ritmo pausado. Quem quiser ouvir Nazareno tourinho, preste atenção em qualquer fala de seu filho, Emmanuel Zagury Tourinho, um dos melhores reitores que a Universidade Federal do Pará já teve. Tão bom, que acaba de ser reeleito para outro mandato. É muito igual.
No final da vida, foi perdendo a audição, mas nem por isso deixava de falar com os amigos por telefone. Quando a comunicação ficava impossível, alguém ao seu lado escutava e transmitia a mensagem. Ele retomava o aparelho e conversava como se tivesse escutado. A caixa de óculos presa ao cinto era sua marca registrada. No dia em que era preciso submeter-se à sessão de quimioterapia, sabia que poderia sofrer, mas, estranhamente, resistia. Uma vez, fui visitá-lo nos chamados “covões de São Brás”. onde morava, antes de se mudar para o bairro do Guamá, sem adivinhar que passara a tarde no hospital “Ophir Loiola”. No final do encontro, me disse: “acreditas que fiz químio? Eu não sinto nada, João. Não sei como isso acontece. Todo mundo reclama, mas eu não”.
Em 2014, recebeu uma grande homenagem da Academia Paraense de Letras, por ocasião da passagem de seus 80 anos. É a homenagem da casa aos seus membros mais longevos. Ao ser informado que haveria uma sessão especial só para ele, me pediu para ser o orador e eu aceitei a missão como um presente. Nazareno e eu éramos amigos de longo tempo. Ela sabia de minha estreita ligação com o catolicismo e respeitava. Como Chico Xavier, era grato à religião católica, porque reconhecia que, sem ela, não teríamos conhecido Jesus Cristo. Pouca gente tão cristã eu já encontrei como Nazareno Tourinho. Mais do que ele, difícil. Lutava por um mundo melhor para todos, mantendo os pés firmes, nas lutas do seu tempo, mas trazia os olhos voltados para Deus. Quando falávamos sobre a salvação das almas, baixava o tom da voz e quase segredava: “João, ninguém vai deixar de ser salvo. Ninguém”.
Em 19 de outubro de 2018, cansado de guerra, pode, enfim, repousar. Pelo bem que praticou, deve ter sido recebido com festas, eu diria, no céu. Ele reagiria, consertando: no plano espiritual. Onde quer que esteja, com certeza continua gerando polêmicas. Se não for assim, não será Nazareno Tourinho.
O nome de Nazareno Tourinho voltou aos meus ouvidos e ao meu coração de uma forma intensa e doce, nos últimos tempos. Sempre que conversava com Betânia Fidalgo, recém-eleita para a cadeira que pertenceu ao amigo, na Academia Paraense de Letras, falávamos dele. Muitas vezes descrevi o Nazareno que conheci como se fosse um parente próximo e querido. Um parente espiritual, porque ele acreditava, ou melhor, tinha certeza, de que isso era possível. Um consanguíneo etéreo. Uma criatura que, em si mesma, experimentava a espiritualização da carne e a carnalização do espírito. Não por acaso eu dizia que era um barroco em plena definição.
Além da amizade, duas outras dívidas, ambas impagáveis, contraí com ele. A primeira surgiu, quando passou por Belém um médium (creio que não foi o João de Deus), que recebia uma entidade alemã, Dr. Fritz, salvo engano, responsável por curas extraordinárias. Nazareno passou em casa e levou meu pai para uma consulta, na tentativa de reverter-lhe a cegueira que o acompanhou, por livre deliberação, até o final da vida. Papai acreditava que se tratava de um problema cármico, porque, segundo assegurava, em encarnações anteriores comprazia-se sem queimar as vistas de escravos fujões, para que nunca mais buscassem a liberdade. Antes de voltar a este mundo, na forma de Joel Pereira, pediu para ser penalizado com o mesmo castigo que impingia aos seus negros. Foi atendido. Na maternidade, queimaram-lhe os olhos com nitrato de prata pingado em excesso. Eu queria tanto acreditar nisso, meu Deus... Como a consulta demorasse, levantou-se e foi embora. Mau pai era um homem impaciente e não suportava esperar.
No dia seguinte, Nazareno não se deu por vencido. Voltou em casa e praticamente o arrastou para o local das curas. Desta vez, o alemão o recebeu. Disse que não tocaria em seus olhos, porque ali havia um carma, mas assegurou que o coração estava fraco. Pegou o bisturi e rasgou-lhe o peito para desobstruir as artérias. Rezou, fechou a fenda e a cobriu com emplastro Sabiá. Avisou que o estrago era grande, mas que a cicatriz sumiria. Papai, que andava triste, pálido, alquebrado, ganhou cor, ficou ereto e parecia outro homem. Até Paulo Toscano, o cardiologista, ficou surpreso.
Seis meses depois, um infarto fulminante o levou. Eu também tenho uma cicatriz imensa no meio do peito e sei como é complicado desentupir artérias do coração. Corta pela, carne e músculo e serra-se osso até chegar ao coração. Depois costura-se tudo ( o osso é grudado com fio de aço) e a recuperação é lenta e dolorosa. Como alguém pode fazer isso com bisturi, sem anestesia, sobre uma maca, cercado de gente respirando em cima do doente, sem oxigênio, sem nada? A sobrevida de seis meses de meu pai foi a primeira dívida.
A segunda foi a acolhida que me deu, quando me candidatei à APL. O crivo do Nazareno para eleger alguém era finíssimo. Pois uma noite ele me chamou à sua casa, na Tamandaré, votou em mim, na minha frente, me entregou o envelope, me deu um abraço e disse que raramente fazia aquilo. Tive 28, dos 32 votos possíveis.
Apesar do abismo entre nossas crenças, nos queríamos muito bem. Eu o admirava e o respeitava por sua coerência humanizada. Nazareno Tourinho possuía apenas um farol: era Jesus Cristo, em quem enxergava a justiça, o amor, a tolerância, a caridade e a humanidade encarnadas. O espiritismo não era um escudo atrás do qual se ocultava. Era a roupa que vestia para encarar a vida com honestidade.
Intelectual que escrevia para teatro e ganhava prêmios mundo a fora, também produzia literatura a respeito de sua fé. Os espíritos, às vezes, o despertavam à noite para sugerir-lhe uma idéia, mas nunca se valeram de seus dons para ditar alguma coisa. O que ele escrevia, ele assinava.
Se havia alguma coisa de que Nazareno Tourinho não gosta era de elogio. Sempre que alguém destacava seus méritos na literatura, balançava as mãos com longos dedos, como se dissesse: para com isso. Também baixava os olhos e retomava a conversa, buscando apontar, na própria obra, elementos que a justificassem. Se recusava os aplausos, gostava de justiça e sabia que o teatro que produziu, em mais de seis décadas, tinha valor. Quando era reconhecido, nesse aspecto, ficava feliz.
Nazareno Tourinho foi, essencialmente, um homem bom. Muito bom. Cristão como pouca gente ousa ser, parecia andar sobre as pegadas de Jesus e fazia esse caminho de modo silencioso. Talvez pudesse ser chamado de Nazareno “bondade” Tourinho. Como se tivesse ouvido do próprio Cristo as lições de amor ao próximo, se aproximou da doutrina Espírita ainda muito jovem, quando conheceu um operário que lia Allan Kardec, e criou casas onde era havia teoria e prática do amor ao próximo, sobretudo ao próximo mais necessitado. Nos seus centros espíritas, o Evangelho ganhava forma, vida, densidade e luz. Nazareno foi um apóstolo na modernidade. Que o digam os pobres para os quais preparava lauta ceia de Natal. “Eles só comem peru uma vez por ano.Se sobrar, nós comemos depois.”
O rapaz que, aos 20 anos, decidiu ganhar o mundo, a partir do Rio de Janeiro, não suportou a vida na então capital do país, que o presenteou com uma doença pulmonar. De volta a Belém, ficou curado sem necessidade de remédios ou de tratamentos. Simplesmente curou-se. Aos 35 anos, entrou para a Academia Paraense de Letras, onde era querido e respeitado. Mesmo quando botava para quebrar. Mas sabia muito bem a diferença entre estar na APL ou no Bar do Parque, um lugar que adorava, sobretudo quando Ruy Barata estava lá. Entre os dois havia uma afinidade tão grande, que a morte do poeta não desfez. Segundo me disse, Ruy o visitou em sonho algumas vezes. Sonhar é uma coisa. Ser visitado é outra. Se alguém desejar saber a diferença, a pessoa menos indicada para explicar sou eu.
Se era para desfazer paradigmas, chamassem Nazareno Tourinho. O espírita progressista e lúcido casou-se com uma jovem, ligeiramente mais velha do que ele, de família judia, dona de lindos olhos verdes e senhora de muita simpatia. Com dona Miryan Zagury teve três filhos: Helena Emmanuel e Tânia Regina. Em 64, o regime militar fez sentir o peso da censura sobre suas peças e não o deixou em paz. Nazareno resistiu. O autodidatismo e a busca pelo conhecimento fizeram dele um sábio, que não aceitava nada sem poleminzar. Nem os princípios de sua crença. Era um teórico do Espiritismo. No catolicismo, os que fizeram como Nazareno ganharam o título de “doutor” da Igreja. Agostinho, Tomás de Aquino, João da Cruz, Antônio, Terezinha de Jesus, Catarina de Sena e Tereza d´Ávila e mais outros 29 santos mereceram o título, em 2000 anos de história.
Contestador por natureza, estava sempre disposto a levantar questões em nome das causas em que acreditava. Não suportava o que chamava de burguesia, embora, no final da vida, já estivesse mais tolerante. Inflado pelas convicções, chegou a propor, na juventude, a demolição do Theatro da Paz para que, naquele lugar, fosse construído um teatro mais simples, onde os pobres pudessem entrar. Ele acreditava que todos tinham direito ao melhor da vida e lutava por isso. Seu teatro era engajado e politicamente à esquerda, porque ele mesmo era contrário a todo tipo de sistema que oprimisse o homem.
Rigoroso intelectualmente, homem de muita leitura, não fazia concessões à mediocridade e sabia distinguir o que era bom do que era mais ou menos. Na vida real, reconhecia espaço para todos. No mundo da literatura, porém, era seletivo e radical. Por isso, quando havia eleições para a Academia Paraense de Letras, seu voto era sempre uma incógnita. Se algum candidato conseguia sua aprovação, podia se considerar um autor de méritos, porque ele não votava por amizade ou para atender ao pedido de um amigo. Seu voto era um troféu. Valia por uma consagração.
A pessoa que sonhava com um mundo melhor era um sujeito de quase um metro e noventa, magro, fumante, que andava curvado, sentindo o peso da idade e da doença que o consumia, mas não o derrotou. Morreu a dois meses de completar 85 anos. Tinha as feições longilíneas, cavadas e conversava pausadamente. Diante de um microfone, exaltava-se. Inflamava-se por justiça e por amor a Cristo. Sua voz era forte, grossa e a fala tinha o ritmo pausado. Quem quiser ouvir Nazareno tourinho, preste atenção em qualquer fala de seu filho, Emmanuel Zagury Tourinho, um dos melhores reitores que a Universidade Federal do Pará já teve. Tão bom, que acaba de ser reeleito para outro mandato. É muito igual.
No final da vida, foi perdendo a audição, mas nem por isso deixava de falar com os amigos por telefone. Quando a comunicação ficava impossível, alguém ao seu lado escutava e transmitia a mensagem. Ele retomava o aparelho e conversava como se tivesse escutado. A caixa de óculos presa ao cinto era sua marca registrada. No dia em que era preciso submeter-se à sessão de quimioterapia, sabia que poderia sofrer, mas, estranhamente, resistia. Uma vez, fui visitá-lo nos chamados “covões de São Brás”. onde morava, antes de se mudar para o bairro do Guamá, sem adivinhar que passara a tarde no hospital “Ophir Loiola”. No final do encontro, me disse: “acreditas que fiz químio? Eu não sinto nada, João. Não sei como isso acontece. Todo mundo reclama, mas eu não”.
Em 2014, recebeu uma grande homenagem da Academia Paraense de Letras, por ocasião da passagem de seus 80 anos. É a homenagem da casa aos seus membros mais longevos. Ao ser informado que haveria uma sessão especial só para ele, me pediu para ser o orador e eu aceitei a missão como um presente. Nazareno e eu éramos amigos de longo tempo. Ela sabia de minha estreita ligação com o catolicismo e respeitava. Como Chico Xavier, era grato à religião católica, porque reconhecia que, sem ela, não teríamos conhecido Jesus Cristo. Pouca gente tão cristã eu já encontrei como Nazareno Tourinho. Mais do que ele, difícil. Lutava por um mundo melhor para todos, mantendo os pés firmes, nas lutas do seu tempo, mas trazia os olhos voltados para Deus. Quando falávamos sobre a salvação das almas, baixava o tom da voz e quase segredava: “João, ninguém vai deixar de ser salvo. Ninguém”.
Em 19 de outubro de 2018, cansado de guerra, pode, enfim, repousar. Pelo bem que praticou, deve ter sido recebido com festas, eu diria, no céu. Ele reagiria, consertando: no plano espiritual. Onde quer que esteja, com certeza continua gerando polêmicas. Se não for assim, não será Nazareno Tourinho.
João Carlos Pereira
jcparis1959@gmail.com
Seduc lança edital para ampliar coleta seletiva nas escolas
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| Coleta seletiva na Escola Joaquim Viana. |
A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) pretende ampliar a coleta seletiva de resíduos sólidos para as escolas da rede estadual. Por isso, lançou um edital de chamada pública que tem como objetivo ampliar o cadastro atualizado das cooperativas que trabalham com coleta seletiva no Pará.
“A ideia é que todas as escolas do Estado realizem a coleta seletiva. Então esperamos receber propostas não só de Belém, mas de cooperativas de outros municípios”, esclarece Emlly Silva, técnica da Coordenação de Ações Educacionais Complementares (Caec). Ela lembra que as ações de educação ambiental na região Norte devem ser cada vez mais fortalecidas e o papel da escola é fundamental nesse processo.
O projeto da Seduc pretende, além da coleta seletiva, desenvolver trabalhos pedagógicos por meio de oficinas, palestras e teatros nas 927 escolas estaduais do Pará.
Desde 2011 o trabalho de coleta seletiva é realizado em parceria com a Cooperativa de Trabalho dos Profissionais do Aurá (COOTPA). Na sede da Secretaria, os servidores são orientados a fazer a separação dos materiais recicláveis. A maior demanda de material reciclado é o papel, mas a cooperativa também recolhe metal e plástico em menor quantidade. A ação acontece uma vez ao mês, com a coleta de cerca de uma tonelada de materiais produzidos nos diversos setores da secretaria.
O edital foi lançado para ampliar o número de participantes da coleta seletiva nas escolas paraenses. “Temos apenas uma cooperativa atuando na sede da Seduc. Ao ampliarmos para as escolas por meio desse edital teremos uma demanda maior para incluir outras cooperativas”, ressalta Emlly Silva
O edital pode ser acessado Aqui.
As informações são da Assessoria de Comunicação da Seduc-PA.
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quinta-feira, 16 de julho de 2020
O currículo e as ideias do novo ministro da Educação
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| Foto: Divulgação. |
Depois do vexame nacional ocorrido com a descoberta do currículo fraudado do último ministro da Educação do governo Bolsonaro, Carlos Decotelli, a nação vai conhecer seu quarto ministro neste governo em pouco mais de um ano meio, e depois de ter um economista insano metido a ideólogo, que praticamente saiu escorraçado do país depois de tanta lambança e alguns crimes à frente da pasta.
O quadro é de uma pandemia ainda em alta, com escolas fechadas e o planejamento educacional do ano todo afetado, e o Enem adiado para o início de 2021.
De fato, quase nada foi feito até aqui. Além disso, decisões importantes, como a implementação do Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014, renovação do Fundeb, reforma do Ensino Médio e implementação na nova Base Nacional Curricular, precisam ser tomadas com urgência e por alguém que tenha algum conhecimento de causa.
Milton Ribeiro tem 62 anos, nasceu em Santos, no litoral de São Paulo. De acordo com seu currículo na plataforma Lattes, Ribeiro é graduado em Teologia e Direito, tem mestrado em Direito pela Universidade Mackenzie e doutorado em Educação pela USP (Universidade de São Paulo). O novo ministro foi vice-reitor da Universidade Mackenzie.
Atualmente, é membro do conselho deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, entidade mantenedora da universidade. Ele também é pastor da Igreja Presbiteriana de Santos, litoral de São Paulo.
Ribeiro integra a Comissão de Ética Pública da Presidência da República desde maio de 2019, quando foi nomeado ao cargo por Bolsonaro. Ele foi a primeira escolha da atual gestão presidencial. Em janeiro de 2020, votou a favor do arquivamento do caso que apurava a suspeita de conflito de interesse envolvendo Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação Social do Planalto. A empresa de Wajngarten mantinha contratos com agências e TVs que, por sua vez, recebiam dinheiro do governo, inclusive da pasta que ele comanda.
Aguiar defende o que chama de ensino do “design inteligente”, perspectiva teológica sobre a origem das espécies que tenta criar um falso contraponto com a Teoria da Evolução. De acordo com essa visão sem comprovação científica, a vida no universo seria obra de um “ser inteligente e superior”, numa nova roupagem do criacionismo.
Em vídeo postado há 4 anos pela Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, em que ele fala à comunidade evangélica sobre a "vara da disciplina" e a importância de disciplinar as crianças, afirmou:
"A correção é necessária para a cura", disse o pastor. "Não vai ser obtido por meios justos e métodos suaves. Talvez uma porcentagem muito pequena de criança, precoce e superdotada, é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor."
A proposta é tentadora. Mas é consenso entre os educadores que este caminho já foi superado há tempos pelas melhores teorias educacionais. Qualquer estudante de pedagogia, psicologia ou licenciatura sabe disso.
Já em um culto de sua igreja, Ribeiro externou sua postura machista com raízes no Velho Testamento, ao defender que é o homem o responsável por "impor a direção que a família vai tomar":
“Quando o pai não está em casa, o inimigo ataca. Quando o pai não impõe. Impõe! Essa é a palavra. Me desculpe, é a palavra usada. Impõe a direção que a família vai tomar, não é que ele é o mandatário, que sabe tudo não. Mas ele, o pai, o homem dentro de uma casa, segundo a bíblia, o cabeça do lar. Ele que aponta o caminho que a família vai”.
Não é à toa que o novo ministro tem especialização em Velho Testamento, pelo Centro Teológico Andrew Jumper e em Teologia do Velho Testamento pelo próprio Instituto Mackenzie.
Parece tratar-se de mais um quadro "terrivelmente evangélico", como gosta de alcunhar o presidente.
Se vai conseguir fazer algum coisa, todos esperamos que sim, afinal, trata-se do futuro de nosso filhos. Mas uma coisa é certa, trata-se de um nome totalmente alinhado com a "ideologia" bolsonarista. Também é fato que se trata de alguém que não tem nenhuma experiência na área de políticas públicas educacionais, além de ter atuado como vice-reitor em uma universidade particular.
Uma pena, pois nosso país está cheio de educadores comprometidos, profissionais tecnicamente especializados e experientes na área da gestão educacional pública, que poderiam dar continuidade a tudo que já foi construído e acumulado na área.
Só nos resta mesmo rezar.
Aluno da UFPA é um dos finalistas ao prêmio Universitário do Ano
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| Foto: Divulgação. |
Agora, para que possa ser o universitário selecionado, ele precisa ter o maior engajamento com seu vídeo de apresentação, disponível nos perfis da Enactus Brasil, tanto no Facebook quanto no Instagram. O vencedor do concurso será conhecido durante o Evento Nacional Enactus Brasil 2020, que será realizado de forma virtual entre 14 e 16 de julho, com a participação de CEOs de grandes empresas e acadêmicos de todo o Brasil.
A Enactus é uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada a inspirar estudantes universitários a melhorar o mundo através do empreendedorismo. Organizada em 37 países, constitui-se de uma rede de estudantes, líderes executivos e acadêmicos, que atuam na criação de projetos de desenvolvimento comunitário que colocam capacidade e talento das pessoas em foco.
As informações são da Assessoria de Comunicação do Time Enactus UFPA, estão no Portal da UFPA.
quarta-feira, 15 de julho de 2020
Zenaldo nada para baixo
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| Foto: Divulgação/Facebook |
Se continuar assim, é melhor Zenaldo nem dar as caras durante a campanha eleitoral, ou seu candidato - independentemente de quem seja -, terá um peso morto nas costas, apesar de toda a força da máquina municipal que o prefeito possa dispor para fazer seu sucessor.
Já o governador Helder Barbalho ainda detém uma popularidade satisfatória - algo em torno de 54% de ótimo/bom -, tanto no interior, onde reside sua maior força eleitoral, quanto na capital, cuja falta de nomes novos e competitivos lhe permitiram tornar-se governador, mesmo com a histórica rejeição que motivaram suas derrotas nas últimas eleições, tanto para a capital quanto para o interior.
Prisão domiciliar virou moda, mas para quem?
Depois do operador de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e sua esposa, agora é a vez do ex-ministro Geddel Vieira Lima, aquele que foi flagrado com 50 milhões de reais desviados em um apartamento emprestado de um amigo, ganhar a sua "prisão" em casa.
Ele teve prisão domiciliar concedia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de
terça-feira (14) pelo ministro Dias Toffoli, presidente da Corte.
Geddel foi ministro da Secretaria do Governo durante mandato de Michel Temer, e ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010. Ele está preso desde 2017 por lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Inicialmente, o ex-ministro ficou na Penitenciária da Papuda, em Brasília (DF), e em dezembro de 2019 foi transferido para a Bahia e levado para o Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
Na última terça, o ministro Dias Toffoli havia concedido 48 horas para a Vara de Execuções Penais da Bahia enviar informações sobre a saúde de Geddel Vieira Lima, após a defesa do ex-ministro pedir concessão de prisão domiciliar em razão da pandemia do novo coronavírus
Geddel foi ministro da Secretaria do Governo durante mandato de Michel Temer, e ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010. Ele está preso desde 2017 por lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Inicialmente, o ex-ministro ficou na Penitenciária da Papuda, em Brasília (DF), e em dezembro de 2019 foi transferido para a Bahia e levado para o Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
Na última terça, o ministro Dias Toffoli havia concedido 48 horas para a Vara de Execuções Penais da Bahia enviar informações sobre a saúde de Geddel Vieira Lima, após a defesa do ex-ministro pedir concessão de prisão domiciliar em razão da pandemia do novo coronavírus
Na decisão, Dias Toffoli afirma que a defesa de Geddel comprovou suas
alegações, com documento expedido pela Secretaria de Administração
Penitenciária e Ressocialização do Estado da Bahia (Seap), no qual
atesta que o ex-ministro, ao realizar o exame de teste rápido em 8 de
julho, testou positivo para a Covid-19.
Agora, imaginem se todos os presos brasileiros tivessem as mesmas condições financeiras e sociais de Geddel para contratar bons advogados e solicitar o mesmo benefício? O princípio constitucional da igualdade seria mantido e não haveria mais superlotação carcerária no Brasil.
A questão é se nossa sociedade está preparada para aceitar que os mesmos benefícios concedidos a gente como o ex-ministro, um típico ladrão "de colarinho branco", mas bem nascido, educado e relacionado, sejam estendidos aos chamados "ladrões de galinha", aqueles que sempre viveram à margem da sociedade, na grande maioria das vezes por falta de oportunidade.
A questão é se nossa sociedade está preparada para aceitar que os mesmos benefícios concedidos a gente como o ex-ministro, um típico ladrão "de colarinho branco", mas bem nascido, educado e relacionado, sejam estendidos aos chamados "ladrões de galinha", aqueles que sempre viveram à margem da sociedade, na grande maioria das vezes por falta de oportunidade.
Infelizmente a percepção de grande parte de nossa sociedade (senão da maioria) é a que gente como Geddel Vieira Lima, apesar de ser um notório e condenado corrupto, ainda enquadra-se dentro do perfil do chamado "cidadão de bem", ou seja aquele que não representa risco violento à integridade e principalmente ao patrimônio alheio.
E se a moda pegar, em breve teremos novos "cidadãos de bem" malfeitores - como o ministro de Bolsonaro, Onyx Lorezoni, arrependido de cometer "caixa dois" - cumprindo suas penas no bem estar de suas aprazíveis mansões, com suas belas esposas e suas famílias perfeitas, enquanto à grande maioria dos condenados continuará restando a sina de apodrecer e embrutecer nas masmorras brasileiras, pela ameaça simbólica que representam ao padrão de sociedade a que provavelmente nunca pertencerão.
Alunos da Smart Fit cancelam matrícula em protesto a fakenews
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| Foto: Arquivo/Veja. |
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Bolsonaro assedia ex-partido, o PSL
Bastou Jair Bolsonaro ligar para o presidente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar, que parlamentares do partido se dividiram entre os que viram a iniciativa de reaproximação do Planalto com a ex-sigla do presidente com bons olhos e outros que rechaçaram o aceno. Enquanto o senador Major Olimpio se mostrou um crítico do gesto e ameaçou deixar a legenda e a deputada Joice Hasselmann disse que o PSL "não está à venda", o deputado Delegado Waldir defendeu que exista um diálogo entre o presidente e a sigla. Ex-líder do partido na Câmara, Waldir foi quem prometeu "implodir" Bolsonaro, em um áudio em outubro. A conferir se a aproximação surtirá efeito.
Saúde: Novo ministro a caminho
O Ministério da Saúde deve trocar de comando mais uma vez durante a pandemia. Ao que tudo indica, até o fim deste mês ou até a primeira quinzena de agosto, o general Eduardo Pazuello deve deixar o posto para ser substituído, provavelmente, por uma indicação do Centrão. Entre os cotados está o deputado Osmar Terra. Próximo a Bolsonaro, o médico já foi cogitado outras vezes e segue no páreo, apesar das previsões equivocadas sobre o coronavírus. A ala moderada do Planalto, porém, é contra a nomeação de Terra. A saída de Pazuello passou a ser mais cogitada após a crise deflagrada pelas críticas do ministro do STF Gilmar Mendes ao baixo desempenho da pasta.
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